quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Roteiro de carro nos arredores de Fortaleza tem praias que foram cenário de novelas.

Adriana Terra
Colaboração para o UOL, no Ceará



Um dos destinos brasileiros que nunca sai da rota de viajantes é o Ceará, Estado com 573 km de um litoral que mistura cenários de dunas branquinhas, mar esverdeado e impressionantes falésias.
Aos que estão em busca de dias tranquilos em frente ao mar, a cidade de Fortaleza, quinta maior capital do país e o quarto destino mais procurado pelos brasileiros, pode parecer urbana demais - e talvez seja mesmo, mas bastam alguns minutos de estrada, a leste ou oeste, para encontrar cenários mais calmos que compõem hoje diversos roteiros turísticos na região.
Partindo da capital cearense rumo a oeste, em cerca de 45 minutos é possível chegar a Cumbuco. Situada a 35 km de Fortaleza, no município vizinho de Caucaia (nome de origem indígena que significa “mato queimado”), a praia atrai principalmente praticantes de kitesurfe. Também é bastante frequentada aos fins de semana por moradores de Fortaleza, por conta da proximidade com a capital.

Por lá, além de se aventurar no esporte é possível fazer passeios de jangada, andar de buggy pelas dunas ou apenas curtir um mergulho nas águas quentes do litoral cearense. Apesar de receber muitos turistas, contando com vasta infraestrutura de hospedagem e restaurantes, ainda é possível encontrar nos arredores pedaços de areia tranquilos.
Já a leste de Fortaleza, a chamada Rota das Falésias é composta de praias e cenários impressionantes. Beberibe se encontra no meio dela, a 91 km da capital. Acostume-se com o "filtro" alaranjado da região, de pouca vegetação e muito sol - o Ceará tem cerca de 93% de seu território inserido na porção do semi-árido nordestino.

 
Adriana Terra/UOL
Falésias de Morro Branco, no litoral leste cearense
Neste município, a pouco mais de uma hora de Fortaleza, a praia de Morro Branco é a grande estrela. Foi cenário de novelas (“Tropicaliente” e “Final Feliz”, da Globo), minissérie (“Sansão e Dalila”, da Record), filme (“O Noviço Rebelde”, com Renato Aragão) e programa de TV (o também global “No Limite”). Como é de se esperar, a visibilidade trouxe para a região muitos turistas e mudanças nas últimas décadas.
Por lá, é possível caminhar pelos labirintos formados em meio às enormes falésias avermelhadas. Foi desta formação rochosa esculpida pelo mar que um dia saíram as areias coloridas que enchiam garrafas de vidro em paisagens desenhadas por artistas locais. Hoje, a diretriz é usar areia colorida artificialmente para o ofício, informa um guia, já que a retirada de material, somada a intensa circulação de pessoas, intensificou a erosão das falésias.

Além deste artesanato, uma feira no pequeno vilarejo tem delicadas peças de renda de bilro (herança portuguesa na região) e bordado: caminhos de mesa, vestidos, camisas. Aos mais interessados no assunto, vizinho dali está o município de Cascavel, com uma conhecida comunidade de artesãos. Não atropele o passeio pelo local indo direto conhecer as falésias: neste centrinho de Morro Branco, aproveite para bater um papo com esses artistas. A alguns passos da feira estão uma igreja e a chamada "praça da Mentira", onde os pescadores do vilarejo contam os seus "causos", segundo reza a lenda.

Passeios até a chamada gruta da Mãe D'Água, caminhadas até o morro onde se encontra o mirante (para ver o sol nascer ou se pôr), visita a praia das Fontes e um mergulho no encontro do Rio Choró com o mar são outras atrações populares em Beberibe.
Graças à proximidade com a capital, esses passeios podem ser feitos em viagens bate-volta, mas se tiver tempo vale a pena reservar mais dias para curtir o ritmo local. Na região, há hospedagens para bolsos e estilos variados - de pousadinhas a resorts - e moradores que alugam casas e quartos, boa opção para quem deseja fazer uma imersão maior por ali.
A quem tem vontade de ir mais longe no roteiro, a chamada Rota das Falésias segue até Icapuí, onde os paredões chegam a 45m de altura.
 
Serviço: www.portalcumbuco.com.br http://beberibe.ce.gov.br

http://viagem.uol.com.br/guia/brasil/fortaleza/roteiros/roteiro-nos-arredores-de-fortaleza-tem-praias-que-foram-cenario-de-novelas/index.htm

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Aruba é uma ilha de bom humor que contagia.
 
Aruba Tourism Authority/Divulgação
A árvore divi-divi é um símbolo de Aruba e pode ser vista em Eagle Beach, na foto
No imaginário de muita gente, Aruba é sinônimo de paraíso. Não é pra menos: só de ver uma imagem com aquele mar azul de tons inclassificáveis que a ideia de paz e tranquilidade rapidamente vem à nossa cabeça. No entanto, a ilha caribenha não se limita apenas a servir de cenário idílico para as férias.

Diferente da vizinha Curaçao, onde a influência holandesa é mais visível em sua arquitetura e cultura, Aruba diluiu suas marcas europeias e se permitiu renovar as construções em prol do turismo. Resorts luxuosos, shoppings e as luzes coloridas dos cassinos e clubes dão a ilha um aspecto mais cosmopolita e moderno.

A diversidade cultural de Aruba pode até não ser tão visível em seus edifícios e espaços urbanos, mas fica evidente em seus pratos típicos, música e até no idioma. Ao circular pela ilha, o turista vai ouvir um pouco de tudo: holandês, inglês, espanhol e, claro, o charmoso dialeto papiamento, que parece misturar todas essas línguas – e ainda tem algumas palavras que lembram o português.

As origens de Aruba explicam essa mistura. Quando chegaram os espanhóis na época do descobrimento, em 1499, a ilha era habitada por índios Arawak. Em 1636, os holandeses se apossaram do país e lá ficaram por quase dois séculos. Os ingleses também tomaram conta de Aruba em 1805, mas por pouco tempo: a Holanda recuperou sua colônia em 1816 até 1986, quando o país ganhou autonomia política – apesar de ainda pertencer ao Reino dos Países Baixos.

A economia da ilha era monopolizada pelo refino de petróleo até o final do século 20, quando o turismo, alavancado principalmente pelos norte-americanos, dominou a cena. O baixo índice de chuvas na região e o fato de estar fora da rota dos furacões (que atingem a maioria das ilhas do Caribe entre julho e outubro) fazem com que Aruba ganhe a preferência de muitos turistas.

Não bastasse tudo o que oferece para o lazer e bem-estar do turista, a ilha ainda conta com um elemento extra: a simpatia do seu povo. Com uma população poliglota, a comunicação entre locais e visitantes flui com facilidade. Mas não é só isso, a alegria dos arubianos é contagiante, estão sempre dispostos a conversar, dançar ou contar alguma história. Vai ver é a proximidade com os trópicos. Ou talvez o bom humor tenha a ver com a paisagem que eles contemplam diariamente – tem como não rir à toa com um mar azul à disposição na sua janela?
 
http://viagem.uol.com.br/guia/aruba/aruba/index.htm

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Barcelona gastronômica tem mercados de rua, vinhos, cervejas e comilança.

 

Rafael Mosna
Do UOL, em Barcelona (Espanha)*

Comida é levada a sério na Catalunha, região autônoma da Espanha cuja capital é Barcelona. São vários, por exemplo, os mercados de rua espalhados pelos bairros da cidade.
Uma tradição que ainda persiste entre os locais faz referência a uma bebida, o vermute. "Anar a fer el vermut" (“ir para o vermute”, em tradução livre do catalão para o português) é um ato que antecede a refeição e pode envolver, além do dito cujo, também cerveja, vinho e licores para abrir o apetite. Não podem faltar aperitivos como azeitona, batatas chips e o conhecido jamón (presunto cru) aliados ao encontro entre amigos.
O UOL Viagem preparou um roteiro para ajudar quem planeja fazer de Barcelona o seu próximo destino gastronômico. Prepare o seu apetite.
 
Mercados locais
Em meio à enxurrada de turistas que circula pelos corredores, há também vários catalães que vão a La Boqueria para fazer compras. Basicamente, as mais de 300 barracas estão divididas em quatro setores: peixes e mariscos, muitos ali ainda vivos - ou moribundos; frutas regionais e importadas, com ofertas de vitaminas e sucos vendidos em copos; embutidos, como o jamón; e carnes em geral. Não faltam guloseimas, geleias, conservas, trufas brancas e negras – nas quais os espanhóis parecem ser vidrados.

As origens da Boqueria estão na antiga cidade medieval de Barcelona. Ela se localizava na área externa às muralhas, para fugir da cobrança de impostos aplicados ao comércio vigente na região interna. Era um mercado aberto, que, no século 19, se trasladou "temporariamente" para o terreno onde está fixado hoje, próximo à rambla, em uma área de mais de 2.500 m². O local, a partir do século 16, abrigava o convento das carmelitas descalças, mas foi incendiado por revolucionários em julho de 1835.

 
Rafael Mosna/UOL
Frutas à venda na Morilla Fruites, barraca no mercado La Boqueria, em Barcelona
Mais intimista, o Mercado de Santa Catarina está situado na região da Riviera, próximo ao bairro gótico, e também foi erguido em um terreno que pertencia ao convento de mesmo nome. Primeiro mercado barcelonês coberto, seu novo teto foi remodelado em 2005 e é todo colorido e decorado com pedaços irregulares de cerâmica (como as conhecidas obras do arquiteto catalão Antoni Gaudí).
O local vende quase todos os tipos de produto da Boqueria, incluindo os itens frescos, mas em menor número. Uma barraca especializada em ovos comercializa o "ovo trufado". Estocado junto a trufas, os poros da sua casca absorvem o inconfundível aroma. Se conseguir armazená-lo (ou consumi-lo) durante a viagem, pague para ver. Ou melhor, para provar.
Separada por uma porta automática de vidro, uma pequena área com um jardim vertical é destinada a restaurantes servirem refeições.
 
Pequenos produtores
Minibarracas ao ar livre vendem mel, queijo (produzidos a partir de leite de vaca, ovelha e cabra, a partir de 4 euros o pedaço; cerca de R$ 14**), balas, bolos e tortas, geleias, ervas, vinhos, chocolates, cogumelos, frutas secas. Tudo proveniente de 12 produtores do interior da Catalunha. Alguns comercializam ao consumidor final somente no local, já que, fora dali, seus clientes são apenas restaurantes.

Eles ficam na praça em frente à igreja Santa Maria del Pi (“pi”, de “pinheiro”, em catalão) das 11h às 14h30 e das 17h às 21h30 somente alguns dias do mês.
 
Na base do leite
Imagine a seguinte cena: sentada, sem pressa, uma senhora desfruta, às colheradas, uma pratada de chantilly. Puro e em quantidade de creme suficiente para a cobertura de um bolo. Na saída, pede um pouco mais para viagem. Pode parecer inusitado, mas a história tal qual descrita aconteceu na visita deste repórter à Granja M Viader (granjaviader.cat.mialias.net). "Granja", vale explicar, é um estabelecimento onde tradicionalmente vendem leite e seus derivados.


 
Rafael Mosna/UOL
Área do Mercado de Santa Catarina possui jardim vertical, restaurantes e mesas
Com certo ar vintage, está situada em uma ruela (carrer xuclà, 7) próxima à rambla. Para levar ou comer ali mesmo, há iogurte feito com leite de cabra, crema catalana (sobremesa similar ao francês crème brûlée) e mató (queijo fresco típico catalão, de origem medieval, feito com leite de cabra ou ovelha; sem sal, é geralmente servido com mel, então chamado “mel i mató”).
Tem destaque na prateleira o cacaolat, leite com chocolate vendido tradicionalmente em uma garrafinha de vidro. Criado por Marc Viader, faz parte da memória afetiva dos catalães.
Os comes e bebes, atualmente, não ficam restritos aos derivados de leite. Há também doces e embutidos de porco, entre outras iguarias.
 
Palácio medieval
O bairro gótico de Barcelona guarda construções que remontam à Idade Média. Em uma delas está localizado o restaurante Neri (www.hotelneri.com), cujo salão está ambientado em meio a um muro de pedras que data do século 12. Para comer, espere por criações inventivas em um ambiente tranquilo.

Repare nas pedras negras em exposição logo na entrada. São sais indianos Kala Namak, cujo sabor é bastante próximo ao do ovo frito.
A apresentação delicada de pratos como o carpaccio de alcachofra com romesco (molho típico) e secallona (embutido de porco) ganha pequenas flores de cebolinha, bem notadas à boca (o sabor é similar ao da planta).
Apesar de fazer parte da cadeia luxuosa Relais & Châteaux, a experiência gastronômica na casa está longe dos altos preços praticados por locais similares em São Paulo e no Rio. De segunda a sexta, um almoço com entrada, prato principal, sobremesa e uma bebida (água, suco ou taça de vinho) sai a 22 euros (cerca de R$ 78**). Aos sábados e domingos, o valor é 25 euros (cerca de R$ 90**) e exclui bebidas. Para o jantar, de domingo a quinta, o menu requer um investimento maior. Com aperitivos e outras cinco (ou, com sorte, seis) etapas, sai a 37 euros (R$ 132**).

 
Rafael Mosna/UOL
Loja "gourmet" da Vila Viniteca tem seleção de queijos, chocolates e conservas
À sombra de um estrelado
Se a ideia é se dar ao luxo de uma experiência gastronômica mais pomposa e em um local charmoso, o Blanc Brasserie & Gastrobar (www.mandarinoriental.com/barcelona/fine-dining/blanc) pode ser visitado tanto para um chá da tarde quanto para uma refeição completa. Está localizado em pleno Passeig de Gràcia, região barcelonesa que abriga lojas de luxo e atrações turísticas famosas como a Casa Batlló e a La Pedrera (Casa Milà), consideradas obras-primas de Gaudí. Fica no interior do hotel Mandarin Oriental, também casa do restaurante Moments, duas estrelas no guia Michelin.
Com pratos e serviços impecáveis, não espere por pechinchas. Tampouco serão encontrados preços estratosféricos. Entrada, prato principal, sobremesa e café podem custar 33 euros (R$ 118**) bem investidos. Nesse caso, podem chegar à mesa releituras de clássicos da culinária mediterrânea, como os três tipos de melão servidos com jamón, cujo preparo utiliza técnicas contemporâneas.
Até mesmo o hambúrguer não é um simples sanduíche. Ele é feito com carne dry-age (maturada a seco, sob temperatura controlada em câmera de ventilação) e é servido com cebola, cheddar e batatas fritas (18 euros; R$ 65**).
 
Dos vinhos...
São de sete a oito mil rótulos à venda, entre vinhos e destilados. Na Vila Viniteca (www.vilaviniteca.es), as garrafas custam entre 3 euros (cerca de R$ 11**) e 15 mil euros (mais de R$ 53,5 mil**). O local trabalha com todas as denominações de origem controladas da Espanha, incluindo as 11 catalães e cava (espumante). A entrega no hotel é gratuita a partir de 12 garrafas ou 120 euros gastos (R$ 428**).

Além das bebidas, há uma “loja gourmet” com venda de azeites, embutidos, chocolates, conservas e uma seleção de 300 a 500 queijos, dependendo da temporada, entre outros itens. Poucas mesas estão disponíveis para o consumo ali mesmo.

 
Rafael Mosna/UOL
A Vila Viniteca possui de sete a oito mil rótulos, entre vinhos e destilados
Para os mais aficionados, é possível organizar uma degustação particular, em sala privativa e um sommelier à disposição. O tema varia de acordo com o perfil e a vontade de cada cliente. Cinco rótulos, para um casal, por exemplo, pode custar 40 euros (R$ 143**) por pessoa.
 
...E das cervejas
Outra marca queridinha dos catalães é a cerveja Moritz (www.moritz.com). Fundada em 1856, a bebida acabou ficando fora do circuito, mas voltou recentemente com força total. Sua antiga fábrica foi restaurada pela família e hoje abriga uma microcervejaria, um restaurante e um bar de vinhos. A cerveja servida e produzida ali é feita em pequena escala. Não sofre pasteurização e, por isso, sai da torneira ainda fresca, com validade limitada.

Para provar outras variedades de cervejas catalãs, vá a La Cerveteca (www.lacerveteca.com), bar com opções de chopes e garrafas. Para comprar, a BeerStore (www.beerstore.pi3.es), próxima à Sagrada Família, e a Rosses i Torrades (www.rossesitorrades.com) comercializam uma boa quantidade de rótulos regionais que não chegam ao Brasil, assim como outras opções espanholas e internacionais.
 
Confeitaria de artista
Também na rambla, a Pastisseria Escribà (www.escriba.es) é comandada por Christian Escribà, quarta geração de chefs-pâtissier bastante famosa na Catalunha. A pequena loja por si só já vale a visita, com decoração modernista, cheia de mosaicos e esculturas.

Dentro, bolos personalizados e miniesculturas de doces estão ao lado de receitas clássicas como croissant e crema catalana.
 
Mestres ‘tostadores’
“Hoje em dia, você aperta um botão e tem um resultado uniforme. Uma amêndoa pode ser torrada em duas horas nesses fornos modernos. Aqui, podemos levar até cinco dias”, explica com paixão Igor Ramos, que trabalha há três anos na Casa Gispert (www.casagispert.com), loja especializada em torras de frutas oleaginosas, como castanhas, nozes, amêndoas e avelãs, desde 1851. O sabor é único e remete bastante à lenha utilizada na fabricação.

A reportagem, não identificada como imprensa, esteve em uma pequena visita feita com clientes tradicionais e Igor continuava contando sua rotina, entusiasmado e falando em um castelhano ultrarrápido. Mostrou as cicatrizes em seu braço, resultado de queimaduras ao provar algo do forno centenário ainda em funcionamento. “Não gosto dessa aparelhagem nova, com tanta tecnologia em que tudo sai com o sabor igual.”
 
Quando e como ir
Barcelona tem um verão bastante quente e um inverno considerado frio para os padrões brasileiros, com temperatura média de 9°C. Bastante turística, espere mais visitantes durantes os meses mais quentes (julho e agosto). Turistas brasileiros não precisam de visto antecipado.


http://viagem.uol.com.br/album/guia/2015/07/10/veja-opcoes-saborosas-para-um-tour-gastronomico-por-barcelona.htm#fotoNav=4

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Berlim para comilões: cidade tem opções deliciosas para todos os bolsos.

Rafael Mosna
Do UOL, em Berlim (Alemanha)*


Há poucos anos, a comida de Berlim para turistas se resumia praticamente ao fast-food "donner kebab" (de origem turca, conhecido no Brasil como "churrasco grego") e "currywurst" (linguiça de porco servida com ketchup e curry).
É certo que eles ainda estão lá e atraem multidões, mas a capital alemã vem abraçando, de alguns anos para cá, uma nova cena gastronômica. E não estamos falando somente de restaurantes premiados, embora a cidade reúna atualmente 20 estrelas Michelin” num total de 15 casas. Ela chegou à comida rotineira, aquela mais próxima ao dia a dia, ajudando o visitante a não necessariamente estourar a conta bancária para conseguir comer bem.
Por lá, a valorização de produtos orgânicos parece ter atingido seu ápice, com prateleiras destinadas ao tema, a custos acessíveis, inclusive em supermercados populares.
Vegetarianos e veganos (movimento que restringe o consumo de qualquer produto de origem animal, incluindo, por exemplo, ovos e mel) podem tirar a barriga da miséria: a oferta é ampla (veja aqui, em inglês, algumas opções de locais estritamente veganos e/ou vegetarianos).
No outro lado da moeda, amantes da carne passaram a dar mais valor à qualidade, e não apenas à quantidade. E restaurantes especializados, como o To beef or not to beef, colecionam adeptos.
O UOL Viagem esteve em Berlim e preparou uma seleção gustativa para três tipos de orçamento. Prepare o seu apetite que tem pra todo mundo.
 
Até 15 euros
Duas feiras de características distintas, mas igualmente voltadas à comilança, acontecem aos domingos na capital alemã. Em um ambiente tranquilo que beira o familiar, pelo menos no começo da tarde, a Street Food auf Achse funciona das 11h às 17h na KulturBrauerei, uma grande fábrica de cerveja desativada (Prenzlauer Berg. Sredzkistrasse 1).
Por lá, encontram-se especialidades de várias nacionalidades, com destaques para o kräuter mitchen (espécie de polenta em formato de waffle servido com tomatinhos, rúcula, mozarela, vinagre balsâmico e flor de sal) e para a Elsässer Flammkuchen (massa fina de pão, feita com farinha e água, coberta com espécie de nata, finas fatias de cebola e lardo, um "parente" do bacon), prato típico da região da Alsácia e sul da Alemanha.
Há ainda paella, sanduíches com linguiças alemãs, hambúrgueres, tortas ao estilo inglês, empanadas à Argentina e até tapiocas vendidas por uma dupla de brasileiras. Preços giram em torno de €4 (R$ 16) a €7 (R$ 28). Para beber, as cervejas, incluindo artesanais, custa cerca de €3 (R$ 12).

 
Rafael Mosna/UOL
Linguiças em barraca na feira Street Food auf Achse, em Berlim
Com um quê mais alternativo/moderno, o Village Market (Neue Heimat) começa às 12h e segue tarde adentro com shows de jazz e discotecagens. Há vários ambientes, com áreas ao ar livre e galpões que abrigam antiquários e brechós, sempre ostentando um ar propositalmente mais caído, com estandes que capricham na decoração.
É um local para passar a tarde toda bebericando taças de vinho (por volta de €6; R$ 24) ou cervejas. Pode-se escolher entre comida mexicana de €3,50 (R$ 14) a €12 (R$ 48), dependendo do tamanho da porção, bolos pra lá de bonitos e sorvetes feitos na hora com hidrogênio líquido. Há ainda petiscos coreanos e sul-africanos, churrasco e outras boas opções.
Se não quiser sair de Berlim sem provar a autêntica comida de rua, endereços certeiros para comer o "currywurst" são o Konnopke’s Imbiss e o Curry 36. Ao lado deste último, na Mehringdamm, o Mustafa’s Kebab costuma formar uma longa fila no horário do almoço.
 
Por volta de 40 euros
Próximo à East Side Gallery, a Kantine Kohlmann é um restaurante-bar descolado, de fachada pichada. O menu, com boa seleção de vinhos (na dúvida, peça o Riesling Kabinett "Jean Baptiste"), inclui leituras modernas de pratos tradicionais alemães.
Entre eles, o Königsberger Klopse (na versão clássica, almôndegas ao molho branco, servidas com batata e alcaparras) é servido com espuma de batata e florezinhas de alcaparra. As famosas "bratwursts” (linguiças) chegam à mesa acompanhadas de purê de salsão, "dumplings" (bolinho de massa de pão) e molho de cebola.

 
Rafael Mosna/UOL
Salão do restaurante-bar Kantine Kohlmann, em Berlim
Dá para ficar só nas entradas, que vão de €3,50 (R$ 14) a €6 (R$ 24), e encará-las como petiscos, num clima mais relaxado. Preços de pratos principais sobem para a casa dos €18 (R$ 73).
Na região de Prenzlauerberg, o Salt n Bone investe na combinação entre comida e cervejas artesanais, com rótulos em garrafa e estilos de chopes que mudam de tempos em tempos. Pratos, também para petiscar ou como entrada, vão de €6 (R$ 24) a €10 (R$ 40). Há alternativas mais robustas, com preços em torno de €12 (R$ 48).
 
De 80 euros a...
Quem passa pelo número 218 Friedrichstrasse , próximo ao Checkpoint Charlie (antigo posto militar entre a Alemanha Ocidental e a Oriental durante a Guerra Fria), pode não perceber que atrás das vitrines cobertas por cortinas pretas fica um dos mais conceituais restaurantes de Berlim. Para entrar no Nobelhart & Schmutzig é preciso apertar a campainha, e o jantar é servido apenas mediante reserva. Lá dentro, a maioria se senta num balcãozão onde a “cozinha-show” fica ao centro.
O menu fechado (€80; R$ 323, com 11 pratos e água inclusa) segue uma filosofia severa de utilizar apenas ingredientes provenientes de Berlim ou arredores.

 
Rafael Mosna/UOL
Cozinha-show do restaurante Nobelhart & Schmutzig
Nos pratos, prevalecem o sabor do ingrediente, como a espécie de nabo servida durante as entradas, crocante e de aparência crua. São utilizadas principalmente técnicas como fermentação, salmoura e marinagem, dizem eles.
Os cozinheiros também brincam com o inusitado, caso das ervilhas "cozidas" na hora, à mesa do cliente, em um tipo de "chá" de gordura de carne.
 
Caminhada gastronômica
"Walking tours" são bem procurados na Europa e uma caminhada focada em comida não poderia ficar de fora. Na capital alemã, o Alternative Berlin tem uma opção desse tipo de roteiro por €20 (inclui uma bebida e um snack; é possível pagar por demais degustações durante o percurso).
O tema da rota pode ser moldado de acordo com o perfil do grupo, mas nunca percorre mais do que apenas uma região específica, envolvendo muitas histórias sobre a cidade e seus costumes.
Como o nome sugere, trate-se de um tour que foge um pouco aos padrões tradicionais –não espere por paradas óbvias. E o legal está aí mesmo, pois será possível conhecer locais que o visitante dificilmente descobriria por si só sem nenhuma pesquisa.

*O jornalista viajou com o apoio do visitBerlin

http://viagem.uol.com.br/guia/alemanha/berlim/roteiros/berlim-para-comiloes-cidade-tem-opcoes-deliciosas-para-todos-os-bolsos/index.htm

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Com belas praias e noite agitada, Balneário Camboriú é destaque no Sul do país.

Lucio Rila/Eleven/Estadão Conteúdo
Com belas praias e noite agitada, Balneário Camboriú é destaque no Sul do país Lucio Rila/Eleven/Estadão Conteúdo
Localizada 85 km ao norte de Florianópolis, Balneário Camboriú se impõe como um dos principais destinos turísticos da região Sul pela beleza de suas praias, urbanas ou escondidas, e pela eficiência de serviços como hospedagem e transportes. Também o bondinho e os esportes radicais do Parque Unipraias, e uma vida noturna de diversidade crescente, incrementam as férias de brasileiros e estrangeiros (sobretudo argentinos e chilenos) no litoral catarinense.

Os bondinhos dão acesso à Mata Atlântica com trilhas e estrutura de lazer ligando duas praias fundamentais, Central e Laranjeiras, que atraem multidões nos dias quentes. Diante dos condomínios verticais, o calçadão da avenida Atlântica lembra o de Copacabana, no Rio de Janeiro, nas ondas brancas e pretas desenhadas no chão e nos quiosques servindo água de coco e lanches. O bondindinho, mistura de ônibus, bonde e dindinho, passa por ali, da manhã à noite, parando em qualquer ponto. Na alta temporada, funciona 24 horas, ou "toda a vida", como dizem os catarinenses.

Comparadas ao burburinho do centro, as praias de Laranjeiras, do Estaleiro e dos Amores são refúgios sem calçadão, para quem busca um cenário mais selvagem, menos urbano. Mais exclusiva ainda é a praia do Pinho, reduto pioneiro no naturismo na orla brasileira, separada da praia do Estaleiro por formações rochosas.

Outra atração importante da região é o parque Beto Carrero, complexo de entretenimento na cidade vizinha de Penha, com zoológico, agenda de shows e dezenas de brinquedos para adultos e crianças. Com cerca de 95 mil habitantes, Balneário Camboriú é uma cidade que nunca pára na alta temporada. Quando o dia nasce e os últimos freqüentadores das casas noturnas recebem a brisa no calçadão, os moradores já ocupam a praia Central, correndo ou caminhando. Dali a pouco chegam as excursões de ônibus aos hotéis. Começa a intensa produção de churros na beira-mar, e o almoço logo convida a conhecer os famosos chopes e cervejas artesanais de Santa Catarina, até a noite.
A cidade segue "toda a vida", como o bondindinho 24 horas.

http://viagem.uol.com.br/guia/brasil/balneario-camboriu/

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Experts em passagens baratas dão dicas de como voar gastando menos.
 
Do UOL, em São Paulo
 
Getty Images/iStockphoto
Com planejamento e paciência, é possível economizar na hora da viagem
Com planejamento e paciência, é possível economizar na hora da viagem
A professora de inglês Margarete Nogueira tem uma programação de viagens agitada: um fim de semana por mês ela vai de Brasília a São Paulo para visitar parte da família. Além disso, a professora também procura fazer, mensalmente, uma viagem mais longa. Em outubro, por exemplo, está indo para Alter do Chão, no Pará, e em novembro visitará Olinda (PE), durante o evento de literatura Fliporto. Margarete é a prova de que viajar sem investir rios de dinheiro requer principalmente planejamento. "Dá para fazer coisas sem gastar tanto", garante. Ela diz que não costuma correr atrás de promoções - sua dinâmica envolve se programar com antecedência. Assim, aproveita os valores mais baixos, compra os bilhetes para todos e, só depois, avisa os parentes que eles têm viagem marcada.
"A família recebe isso superbem", diverte-se. "Porque, na verdade, quando tem promoção é 'pegar ou largar', não tem como consultar as pessoas", justifica Margarete.
A estratégia da professora é a mais indicada por outros experts em viagens. "Compre com antecipação e tenha certeza da data do voo. Alguns finais de semana há promoções, mas não é uma regra. A regra é a lei da oferta e da procura", explica Alexandre Monteleone, gerente de marketing do site Decolar.com.

 
Arquivo pessoal
Guta Cunha, do blog Vambora!, já foi para Barcelona pagando metade do valor médio
"Sempre existe a chance de haver alguma grande promoção, mas no geral, ao se comprar com três a quatro meses de antecedência você encontra os melhores preços", diz Guta Cunha, do blog Vambora!. Ela também utiliza comparadores, entre sites e aplicativos, e pesquisa em diferentes dias e horários.
Combinando esses macetes, a blogueira já conseguiu uma passagem de ida e volta saindo de São Paulo com destino a Barcelona por cerca de R$ 1.300, já com taxas, pela Singapore Airlines. A média de preço deste bilhete pela companhia, uma das mais caras a voar esta rota, é de R$ 2.500, sem taxas. "Foi um caso de insistência e trabalho de ficar pesquisando passagens, todo dia, por uns 15 dias, e uma hora apareceu essa promoção", explica.
Já Margarete conta que, no último mês de maio, conseguiu passagens de ida e volta partindo de Brasília com destino a São Paulo por R$ 150, já com taxas - metade do valor médio da tarifa.
 
Nacionais em alta, internacionais menos atraentes
Atualmente, no entanto, a professora diz ter sentido menos diferença na compra antecipada: as passagens, às vezes, seguem caras mesmo compradas meses antes. Um dos motivos é a grande procura por voos nacionais em tempos de dólar alto.

"Aumentou bastante o número de venda das nacionais, não caiu o preço porque tem muita procura. As empresas estão fazendo algumas promoções pontuais, mas nada muito diferente do que vinha acontecendo", explica Alexandre, ajudando a entender essa percepção de Margarete.
"E a venda das internacionais não caiu muito porque as passagens baratearam. As companhias americanas reagiram muito rápido à variação cambial e agora o que está acontecendo é a reação das europeias", observa.

Getty Images
Apesar das promoções em voos internacionais, o dólar alto pode ser um vilão
Para Guta Cunha,"as promoções de passagens para o exterior continuam, o problema é a cotação do dólar frente ao real, o que faz com que uma promoção excelente de US$ 599 para a Europa não seja mais tão atraente hoje em dia", opina. Ela acredita que, em relação às passagens nacionais, existem promoções, mas menos frequentes. "Não acho que viajar para o Brasil ficou mais barato do que antes, na verdade a questão é que viajar para fora do Brasil nesse momento está mais caro devido ao câmbio", pontua a blogueira.
Mesmo em tempos de bilhetes nacionais em alta e internacionais menos atraentes, sempre vale a pena seguir algumas regrinhas para economizar na compra. Abaixo, reunimos cinco dicas formuladas com ajuda dos nossos entrevistados.
 
5 REGRAS BÁSICAS DA ECONOMIA AÉREA
1. Programe-se e compre com antecedência
Regra campeã entre os especialistas em voar barato. Compre os bilhetes internacionais com pelo menos três a quatro meses de antecedência. Os nacionais, com cerca de dois meses ou ao menos mais de 30 dias.

 
2. Atente à lei da oferta e demanda
Viajar num fim de semana ou no feriado sempre será mais caro, assim como ir a destinos de praia no verão. Se você pode evitar isso, vai pagar, certamente, bem menos.

 
3. Use aplicativos e sites que comparam preços
Kayak, Skyscanner, Voopter, Decolar, eDestinos e Wego são algumas das opções que ajudam a achar a melhor oferta.

 
4. Cadastre-se em sites e crie alertas de preços
Você quer viajar para determinado destino, ainda sem data definida, e quer pagar o mínimo na passagem? Crie alerta de preços para o local em sites de busca e/ou compra de passagens. Assim, recebe um aviso quando aparecer um bilhete abaixo do valor que indicar. Cadastrando-se também neste tipo de site, ou em páginas de cias aéreas, você recebe as promoções por email e consegue aproveitá-las melhor.

 
5. Pesquisa em diferentes datas
Aqui vale a paciência de entrar em sites em diferentes dias e horários para checar a melhor oferta. Não tem exatamente uma regra de melhor dia para pesquisar, mas a companhia Azul, por exemplo, conta que os melhores dias para achar passagens baratas em seu site são terças, quartas e sábados. Há ainda quem diga que os fins de semana e madrugadas são momentos bons de fazer a busca.


http://viagem.uol.com.br/noticias/2015/10/07/experts-em-passagens-baratas-dao-dicas-de-como-voar-gastando-menos.htm

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, tem uma ilha para cada dia do ano e 2.000 praia.
 
Divulgação
Vista das Ilhas de Cataguás, em Angra dos Reis Divulgação
"Se existe um paraíso, é bem perto daqui." A frase foi registrada em carta por Américo Vespúcio para descrever a antiga Vila dos Santos Reis Magos, hoje, Angra dos Reis, uma das mais antigas cidades brasileiras, descoberta por Gonçalo Coelho, em 6 de janeiro de 1502.
Distante 166 km da capital carioca, no litoral sul do Rio de Janeiro, guarda uma riqueza histórica, lendas envolvendo piratas, navios fantasmas e naufrágios e muitas, muitas belezas naturais. Oito baías, 365 ilhas e 2.000 praias. 

Que outro lugar reserva tantas opções para o viajante?
O roteiro turístico de Angra dos Reis está dividido em cinco corredores: Ponta Leste, Centro, Estrada do Contorno, Ponta Sul e da Ilha Grande. Caminhadas por trilhas que levam a cachoeiras ou praias reservadas, passeios de barco que têm como destino ilhas paradisíacas de águas cristalinas ou mergulhos entre peixes coloridos são algumas das muitas opções de lazer proporcionadas pela exuberante natureza da região.

A combinação do verde da mata atlântica com as areias claras, o mar calmo de grande parte das praias e ilhas e suas águas esverdeadas faz de Angra dos Reis um dos destinos mais procurados do litoral do Rio.
O acervo histórico e arquitetônico do local mostra ao visitante um pouco da trajetória da cidade, que remonta os "grandes ciclos econômicos" da história do Brasil. No início da colonização foi uma região cobiçada para exploração e contrabando de produtos tropicais, servindo de entreposto comercial para grandes rotas marítimas vindas da Europa e África. 

No período colonial interligou São Paulo e Minas Gerais ao litoral do Rio de Janeiro. E no século 19 viveu períodos áureos graças ao café. A polêmica implantação da Usina  Nuclear Angra 1 (1972-1980), além da instalação do Terminal Petrolífero da Baía da Ilha Grande (1974-1979) e da abertura da Rodovia Federal Rio-Santos (BR-101), redefiniu o "desenvolvimento" da cidade e o tipo de ocupação.

http://viagem.uol.com.br/guia/brasil/angra-dos-reis/index.htm